Um estudo prospectivo e randomizado publicado como resumo no arXiv avaliou se um chatbot de inteligência artificial poderia ajudar pacientes a se preparar antes de uma consulta médica. Segundo os autores, 802 adultos nos Estados Unidos participaram pelo aplicativo Google Health e realizaram 866 conversas sobre saúde.
O agente avaliado usava um modelo de linguagem de grande porte e seguia um fluxo de preparação: reunia informações sobre o contexto clínico, explicava o que esperar da consulta, apresentava informações de saúde relevantes, organizava perguntas para o profissional e produzia um resumo. O grupo de controle conversava com um chatbot baseado no mesmo modelo, mas com instruções mínimas. O estudo também avaliou uma versão concisa e uma versão padrão do agente.
Resultados nas avaliações
Nas revisões clínicas às cegas de 272 sessões concluídas, o agente teve uma taxa de preparação considerada abrangente de 67,2%, ante 50,6% no controle — diferença de 16,6 pontos percentuais, segundo o estudo. O alinhamento das conversas com o contexto de saúde dos pacientes foi de 98,9% no grupo do agente e 90,4% no controle, diferença de 8,5 pontos percentuais.
Nas respostas de 460 participantes a questionários após a conversa, 73,8% no grupo do agente relataram estar preparados para a consulta, contra 57,0% no controle. A proporção que se sentia confiante para saber o que perguntar foi de 81,4%, ante 67,1%; a satisfação geral ficou em 74,0%, contra 62,0%. Os autores relatam que essas diferenças foram estatisticamente significativas.
O que os dados permitem concluir
De acordo com o artigo, a segurança e a adequação médica permaneceram altas nos diferentes grupos. As avaliações dos profissionais e as respostas dos pacientes, porém, não apresentaram correlação significativa; os autores interpretam isso como sinal de que cada tipo de avaliação capta aspectos complementares da experiência.
Os resultados apontam melhora na preparação percebida e avaliada, mas não demonstram que o uso do agente melhore a saúde ou os resultados clínicos. Os autores indicam que estudos futuros devem examinar também a comunicação durante a consulta e os desfechos clínicos.



