Cada vez mais, pesquisadores e empresas usam populações sintéticas, grandes conjuntos de pessoas simuladas, no lugar de gente real para pré-testar pesquisas, simular usuários e comunidades e avaliar sistemas de IA. Segundo o preprint Personas Are Not People: Identity as State, Not Attribute, publicado no arXiv, esse uso se apoia numa suposição que os autores consideram problemática: a de que a identidade de uma pessoa é um atributo estável, que se comporta do mesmo jeito em qualquer situação.
Como essas simulações funcionam
Cada pessoa simulada é definida por uma persona, um texto com traços fixos, dados demográficos e atitudes, que o modelo de linguagem recebe a instrução de representar. O artigo sustenta que isso ignora um dado conhecido da psicologia: segundo os autores, três décadas de pesquisa em personalidade apontam o contrário, ou seja, o comportamento de uma mesma pessoa varia mais entre contextos do que as pessoas variam entre si.
O que os autores propõem
Os autores separam o comportamento em três partes: traços estáveis, a identidade que um contexto ativa e a própria situação. Com base nisso, afirmam que, sob duas premissas explicitadas no trabalho, qualquer simulação baseada em personas fixas não consegue reproduzir a parte do comportamento de uma população que é específica do grupo e de suas circunstâncias. Segundo o texto, isso vale independentemente de quão detalhada seja a persona ou de quão grande seja o modelo.



